Decidir bem exige método, e método se aprende com bons referenciais. Por isso, este artigo reúne 14 livros em três eixos que se complementam: gestão de negócios, estratégia empresarial e governança corporativa. A seleção atende executivos, conselheiros e gestores que desejam sustentar decisões com base teórica sólida e aplicação prática.
Gestão de negócios: eficácia, disciplina e inovação
A gestão cotidiana define se a estratégia sai do papel. Nesse sentido, os livros desta seção tratam de foco, consistência e experimentação:
- O Gestor Eficaz, de Peter F. Drucker (LTC): defende que eficácia é uma prática aprendida, baseada em gestão do tempo, foco em contribuição e qualidade das decisões.
- Empresas Feitas para Vencer, de Jim Collins (Alta Books): investiga o que separa empresas que alcançam desempenho extraordinário e sustentado das demais, com ênfase em disciplina e na escolha das pessoas certas.
- Gestão de Alta Performance, de Andrew S. Grove (Benvirá, 2020): oferece ferramentas objetivas para medir o trabalho gerencial e alinhar equipes a resultados.
- A Era da Inteligência Artificial, de Marco Iansiti e Karim R. Lakhani (Alta Books): analisa como dados e algoritmos alteram a forma de operar e de competir, o que interessa a qualquer empresa em transformação digital.
- A Startup Enxuta, de Eric Ries (Sextante): propõe o ciclo de construir, medir e aprender, útil também em grandes organizações que precisam testar ideias com baixo custo.
Embora tratem de temas distintos, esses livros compartilham uma ideia: resultado sustentável vem de rotina bem conduzida. Por isso, Drucker e Grove costumam dialogar bem com Collins, que mostra como a disciplina se mantém ao longo dos anos, enquanto Ries e Iansiti e Lakhani lembram que a adaptação é parte da gestão.
Estratégia empresarial: escolher onde e como competir
Além disso, estratégia não é plano extenso, e sim um conjunto de escolhas coerentes. Os cinco títulos abaixo oferecem lentes diferentes para esse exercício:
- Estratégia Competitiva, de Michael E. Porter (Atlas): referência para analisar setores e concorrentes, especialmente por meio do modelo das cinco forças.
- A Estratégia do Oceano Azul, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne (Sextante): sugere criar espaços de mercado novos, em vez de disputar os já saturados.
- Estratégia Boa, Estratégia Ruim, de Richard P. Rumelt (Alta Books): critica metas vagas e apresenta o núcleo de uma boa estratégia: diagnóstico claro, política orientadora e ações coerentes.
- Jogar para Vencer, de A. G. Lafley e Roger L. Martin (Alta Books): estrutura a estratégia como uma sequência de escolhas, de aspiração a capacidades, com base na experiência na Procter & Gamble.
- Business Model Generation, de Alexander Osterwalder e Yves Pigneur (Alta Books): popularizou o Business Model Canvas, ferramenta visual para descrever e repensar modelos de negócio.
Na prática, Porter ajuda a entender o terreno, Kim e Mauborgne estimulam a mudar de terreno, e Rumelt cobra clareza sobre o que será feito. Já Lafley e Martin e Osterwalder e Pigneur transformam essas escolhas em estrutura, seja pelas perguntas da cascata estratégica, seja pelo mapeamento do modelo de negócio. Portanto, os cinco títulos funcionam melhor quando lidos como conjunto.
Governança corporativa: poder, responsabilidade e conselho
Por fim, estratégia e gestão precisam de estrutura de decisão confiável. É aqui que a governança entra, definindo papéis de sócios, conselho e diretoria. Para aprofundar o tema, destacam-se:
- Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, do IBGC (6ª edição, 2023): principal referência nacional, com recomendações práticas para organizações de diferentes portes.
- Governança Corporativa: Fundamentos, Desenvolvimento e Tendências, de Adriana Andrade e José Paschoal Rossetti (Atlas): apresenta a base conceitual e a evolução do tema.
- Governança Corporativa no Brasil e no Mundo, de Alexandre Di Miceli da Silveira (Elsevier): relaciona teoria e prática, com atenção ao contexto brasileiro.
- Governança Ativa, de Ram Charan, Dennis Carey e Michael Useem (Elsevier/Campus): discute como conselhos podem contribuir de forma efetiva para a criação de valor.
- Governança Corporativa: O Governo da Empresa e o Conselho de Administração, de João Bosco Lodi (Elsevier/Campus): foca o papel do conselho de administração na condução da empresa.
Esses livros, em conjunto, ajudam a responder a uma pergunta que muitas organizações adiam: quem decide o quê, com que informação e com qual responsabilidade. Além disso, mostram que governança não se limita a empresas de grande porte, pois negócios familiares e em crescimento também se beneficiam de regras claras.
Por onde começar
Na prática, a ordem de leitura depende do momento profissional. Quem assume a primeira gerência pode iniciar por Drucker e Grove. Sendo assim, quem participa da definição de rumos ganha com Rumelt e Lafley e Martin. Executivos e futuros conselheiros, por sua vez, encontram no código do IBGC um ponto de partida claro. Em qualquer caso, vale combinar um título de cada eixo, pois gestão, estratégia e governança se alimentam mutuamente. Uma boa estratégia sem rotina de execução fracassa, e uma execução eficiente sem governança perde direção.
Então, que decisão relevante você tomou recentemente sem um referencial estruturado? Escolha um título desta lista e leia-o com essa decisão em mente. Compartilhe este artigo com outros líderes e, para conversar sobre estratégia e governança na sua organização, fale com a equipe do Lauri Corrêa.


